a docilidade da máquina

Apresentei aos meus alunos uma concepção da máquina fundada em três tipos de presença:
1) a operação de construção, por meio da qual se pensa a finalidade da máquina a fim de convertê-la em seguida em estrutura;
2) a contemplação da máquina construída, compreendendo seu mecanismo e sua organização interna, em um sentimento estético de beleza técnica;
3) a operação e funcionamento previsto pra a máquina.

Afirmei que a máquina não é nem um escravo nem um instrumento utilitário, válido somente por seus resultados. Ensinei o respeito a esse ser que é a máquina, intermediário substancial entre a natureza e o homem; ensinei a tratá-la não como servo, mas como uma criança.

Eu defini sua dignidade e exigi respeito desinteressado contra sua existência imperfeita.

(Simodon 1953: 115)

o discurso da derrota

[ a Antárctica desaparece e o calor toma conta de tudo ]
~ eita filme é velho e careta ~
é desesperador a forma como o governo e a sociedade civil lida com essa situação toda. investe numa “economia criativa” para manter as mesmas colônias e feudos transvestidos de “indústria cultural” e esquece que a economia, em seu princípio, não se sustenta sem as relações entre as pessoas.
esse papo de mobilidade urbana, gadgets, memes, menos prédios, primavera etc, é legal mas não vai mudar nada. o erro ta ali no cerne. tão vendendo um futuro furado, já era! derruba o concreto e sobe um bambuzal pra vê se dá um jeito.

internet das nossas coisas

Atmel Corporation @Atmel 12 Jul
“The Internet of Things is not the future anymore. The Internet of Things is the present. It is here, now.”

a nota da atmel pelo twitter sobre a internet das coisas tem vários impactos interessantes para as próximas experiências no assunto, principalmente porque essa turminha domina o mercado dos circuitos integrados que estão nas salas, cozinhas e escritórios no mundo inteiro.
a nota mostra que há uma tendência na diminuição nos custos da fabricação de chips com rádio frequência para ser facilmente controlado por celulares e browsers. só que a internet embarcada em objetos caseiros aponta para diferentes tipos de controle: pode ser sobre as possibilidades de construir sistemas de “trocas” cotidianas, no sentido de interpretar comportamentos e sugerir soluções criativas e rápidas para as cidades ou sobre o controle do comportamento das cidades, bairros, pessoas e famílias, mais detalhado e com um zoom para os bens pessoais.

hoje, as redes sociais como faceebok e instagram, detém os principais assuntos no mundo de uma forma virtual, através das tags. Nesse modelo há sempre um risco pela virtualização das coisas, não se tem certeza sobre as reais potências. No caso da utilização das redes para além dos computadores e celulares, a possibilidade de controle e vigilância sobre as coisas aumenta o poder de visualização das corporações para os bens de consumo, costurando diversos relatórios em tempo-real sobre os padrões das pessoas e de suas práticas.

“the Web as I envisaged it, we have not seen it yet. The future is still so
much bigger than the past”. Tim-Berners–Lee

não se surpreenda com as próximas chamadas, pode ser para pensar como se controla a luminosidade dos postes para economizar energia ou decidir como se dará o controle da sua xícara ou em qual faixa de IP ela estará.
bú!

interactivos nuvem

Projetos, experimentos, rituais, alquimias. A nuvem é composta de gotículas de ideias condensadas oriundas da trans-piração coletiva. O front é a autonomia, mas não a autonomia do individualismo, pelo contrário, uma economia-coletiva, no melhor sentido da palavra. Bioconstrução, network sensors, bioart, paisagem sonora, cozinha viva. Não tem como organizar uma linearidade dos estudos em processing. O Interactivos é flutuante da nuvem.

O estreitamento conecta e transporta. O tempo saudável favorece respirações e inspirações para se pensar desvios e poéticas de micro-organismos que nos completam em substâncias. Da fotossíntese ao lançador de sementes ativistas, da síntese do CO2 ao spectrum do silêncio arquitetônico, para onde estamos indo?

Uma agenda de possibilidades está em execução, espera-se “ao mínimo” um repositório aberto do suor, com navegações possíveis e registros a-temporais.

Tecnologia viva e afetiva direto das raízes do vale do pavão. O contemporâneo não vem só dos bits. Essa representação falha diante da natureza quântica. Mais proveitoso é saborear uma juçara e deixar o corpo aprender e se virar nos protocolos de comunicação.

Nuvem, Vale do Pavão, RJ, 2012.

hiperorgânicos#3

Essa imagem representa bem a distância que eu estava da praia nesse Hiperorgânicos#3. Mesmo tão perto, não consegui pisar na areia. A não ser no dia que cheguei e pulei de penetra no ônibus da caravana carbono neutro, dos hackers do Pará. Essa distância da praia e do cotidiano carioca pode ser transportada para dentro da Sala Funarte, onde aconteceu o OpenLab proposto pelo Hiperorgânicos. Vários artistas, pesquisadores, entusiastas, de diferentes lugares, presentes física e digitalmente, na tentativa de construção de linguagens e interseção de informações entre seus projetos, suas cavernas. As práticas no Openlab me fizeram pensar em duas coisas: qual a real importância de se patrocinar a troca de dados em rede entre projetos e experimentações pessoais artísticas? De encontro, como pensar e articular uma rede mais robusta para o consumo de dados entre dispositivos para uma real conexão com a cidade, o cotidiano e suas ecologias?

Vou fazer um corte para um dado super peculiar: nessa próxima semana, Recife vai promover um encontro chamado SmartCity Bussiness, algo como negócios para as cidades inteligentes. Empresas, instituições, pesquisadores, investidores são os alvos desse encontro. Assim como o The Internet Of Things e a apresentação de Vlad Trifa no LIFT11 denunciaram, o setor empresarial está se apropriando de forma equivocada das cidades inteligentes. O governo, sem profundidade no assunto, investe recursos em desenvolvimento de novos protocolos de comunicação entre devices, financia pesquisas para empresas e hubs consumirem dados importantes que são expelidos pelas ‘peles’ das cidades a um preço altíssimo e de retorno financeiro garantido. E no final, o maior interesse é o controle completo dessas informações advindas de celulares, sensores, gps, satélites, plantas, parques e gadgets. E por consequência, a venda dessas informações valiosas de volta para o governo e as instituições público/privada.

E o que isso tem a ver com o Hiperorgânicos#3?

http://re.gistre.me/cotidianosensitivo

A RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) está interessada, há bastante tempo, nas redes formadas pelas pessoas, seja de coletivo de mídia tática, cultura digital e grupos de pesquisas dentro e fora das universidades. O Hiperorgânicos é organizado pelo NANO, no qual se encaixa no perfil da instituição patrocinadora. Também estava na pauta a instalação de uma rede gigabite dentro da Funarte, para aproximar de vez as práticas de laboratórios e mídia-labs para as instituições de cultura do país.

(3CO no RJ)

Qual o impacto no cotidiano das nossas iniciativas de pesquisas e experimentações entre trocas de dados por devices e organismos? Que tipo de investimento instituições como a RNP pode patrocinar para que as pesquisas dos labs garantam a liberdade desses dados, cada vez mais cooptados pelas megas corporações? Como podemos garantir a evolução dessas conexões entre dispositivos para plataformas mais robustas de troca de dados via HTTP REST e Cloud Computing, como a Cosm?

É fácil notar as diferenças entre recursos e estabilidades entre um evento formado por empresas do alto escalão contra os laboratórios de pesquisas e experimentações em cultura digital expandida. Falta consciência por parte dos artistas que querem ver seus dados trafegando redes afora por pura e simples estética. É preciso potência, política e visceralidade.  Tenho certeza de que nesse evento SmartCity, grandes negócios com nossos dados serão fechados. Quanto vale o fetiche dos artistas para as corporações http?

É urgente focar em iniciativas para pesquisas e desenvolvimento de projetos, plataformas e dispositivos open-sources de consumo de dados em rede, para a saúde e liberdade da Internet das pessoas e das cidades.

ps: Agradecimentos para a RNP por patrocinar minha ida até o Hiperorgânicos#3.