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Posts tagged “cotidiano sensitivo

contracultura digital

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3c0 ecosistema do sensitivo

“o planeta terra vive um período de intensas transformações técnico-científicas, em contrapartida das quais engendram-se fenômenos de desequilíbrios ecológicos que, se não forem remediados, no limite, ameaçam a vida em sua superfície. o que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre o planeta, enriquecendo os modos de vida, reinventando o meio ambiente e fortalencendo a sensibilidade através de aparatos que dialogam com o técnico, o sensível e o natural.

Felix Guatarri Remix

3c0 é uma intervenção urbana interativa que coleta dados ambientais em tempo-real e atua de forma a construir um ecosistema híbrido que reage com as intensidades do cotidiano urbano.

as reações são acopladas em servos motores que acionam guarda-chuvas equipados com sensores analógicos e digitais capazes de sentir informações como temperatura, intensidade de luz e ruídos, sinais sonoros, gases e poluição.

a cada variação no ambiente, seja por efeito humano ou da natureza, excita o aparato a provocar dilatações e contrações na sua estrutura, dependendo da potência do desvio ambiental.

esta intervenção aconteceu no mês de Julho de 2011 no parque Ruber Van Der Linden, durante o Festival de Inverno de Garanhuns-PE. Nas próximas semanas, os guarda-chuvas circularão por outras cidades do Nordeste, com possibilidades de conexões com o servidor para troca de dados em rede.


lab cotidiano: IMERSom Coque!

(este post também foi publicado no blog do projeto cotidiano sensitivo)

Durante três semanas, entre o final de Maio e início de Julho, eu e Ruiz estivemos no Coque, em Recife, para realizar um laboratório do cotidiano sensitivo junto com o pessoal da comunidade. IMERSom (nome da oficina) foi só o mote para atiçar e argumentar sobre as diversas ciências que estávamos instigados a investir no lab. A proposta foi utilizar conhecimentos de propriedades sonoras, tecnológicas, religiosas e subjetivas para construir um dispositivo móvel que tivesse uma funcionalidade pra comunidade, que fosse a cara deles.

Na primeira semana, conversamos e praticamos diversas experiências, como estudar mais sobre a história de Quinha do Tamburete, construir um instrumento que fosse possível “tira o som da alma” (LM386+Fios) e pesquisar sobre dispositivos móveis, pedindo para que eles desenvolvessem um aparato novo, deles.

Essa pesquisa continuou na semana seguinte, onde começamos a estudar mais a possibilidade de montar um dispositivo para registrar as histórias (estórias) das pessoas da comunidade, um aparato que fosse capaz de circular pelas ruas do Coque e convidar as pessoas para sentarem e contarem um momento ou falarem sobre alguma coisa. E o dispositivo tinha que ter a cara do Coque, ser algo que as pessoas se representassem nele.

E esse algo foi a Casa. O lugar da familia, onde as pessoas celebram o dia-a-dia.

Como fonte de inspiração, seguimos a mesma “metodologia da falta” que dona Quinha leva no seu dia-a-dia, procuramos todos os materiais reciclados (de madeira até sensores de baixo custo) para produzir uma Casa que fosse capaz de registrar momentos e histórias de anônimos que vivem na comunidade.

e assim foi…

ajustando a casa….

webcam, Sensores de luz, temperatura, arduino.

E aí, levamos nosso dispositivo para a rua, para fazer funcionar todo o sistema de gravação feito no Pd e Arduino (inicia quando toca no teto e desliga quando bate palmas) e mostrar para as pessoas que, mesmo com todos os problemas do cotidiano, é possível desenvolver projetos de forma criativa e coletiva na comunidade…

pessoal erguendo mais um laboratório brasileiro de interatividade e criatividade pelas pontas.

ajustando detalhes técnicos….

e o tamburete de Quinha também faz parte do dispositivo…

depois de colocar na rua, não deu outra, várias histórias, vários contos… elaboramos algumas perguntas clássicas (Onze Unidos ou Mocidade? O Coque é bom? Por quê? Como é sua vida no Coque?….) que ficaram penduradas no tamburete para as pessoas responderem, mas outras histórias vieram juntas. E foi isso que mais interessou, as pessoas se sentiram à vontade para falarem para a Casa, de se doarem ali na frente do dispositivo e se expressarem, sabendo que aquelas imagens iriam chegar em algum lugar.

e não foram poucos momentos…

(imagem capturada pelo dispositivo)

(imagem capturada pelo dispositivo)

(imagem capturada pelo dispositivo)

(imagem capturada pelo dispositivo)

e mais momentos de se lembrar por muito tempo…

Em breve esse registro estará dentro da plataforma do cotidiano sensitivo, como uma memória viva do que aconteceu e o que anda acontecendo pelo Coque.