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labs, mídias, redes

opa. atualmente estou bastante atento e fazendo várias reflexões a respeito de conversas que estão rolando na rede sobre laboratórios de mídia.

o Felipe Fonseca iniciou um papo sobre labs de produção multimídia organizando o blog RedeLabs, que é um espaço criado para pensar em estratégias em rede para desamarrar as estruturas dos labs multimídia tradicionais e pensar num modelo que faça sentido com a atual situação do cotidiano das pessoas que estão produzindo criatividades e novas mídias no brasil.

Fiz uma pequena intervenção no post Caminhos Brasileiros para a Cultura Digital Experimental :

massa efe,

estou elaborando uns questionamentos/ações, mas de imediato: a cultura digital experimental não está diretamente proporcional à infra-estrutura, mas às conexões entre os saberes das pessoas e de seus processos, experimentos, que se tenha acesso não só para observar, mas para tocar, sentir.

depois comento mais,

valeu pela iniciativa.

logo depois o papo do post foi parar na lista metareciclagem e acabei fazendo uma intervenção maior a respeito dos labs de mídia e do cotidiano das pessoas que estão fazendo, pensando…

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opa pessoal,

bonita discussão, realmente muito pertinente.

também dei uma lida nos textos de efeefe e confesso que o assunto percorre minhas veias até agora.

depois de ler, acabei despejando um comentário rápido no blog:

(…) mas de imediato: a cultura digital experimental não está diretamente proporcional à infra-estrutura, mas às conexões entre os saberes das pessoas e de seus processos, experimentos, que se tenha acesso não só para observar, mas para tocar, sentir.

ainda estou maturando se realmente isso que falei é fato ou se é mais uma das possibilidades.

acho que agora estou mais do lado de que essas conexões entre pessoas e suas práticas são possibilidades, não meta, fato, enfim…

sendo bem pragmático:

ao meu ver, o apoio aos projetos experimentais em cultura digital só vai fazer sentido se conseguir transformar essas emergências em motivações, agenciamentos, práxis. as pessoas que experimentam, se perdem, divagam, poetizam na cultura digital brasileira, continuam atuando com oficinas, performances… precisa ir além. o que glerm falou ali sobre essa frustração de não conseguir encaixar a vontade de fazer poética computacional com essas premissas de ter que ir na eletrônica, de sair na rua pesquisando, é algo que não vai se transformar rapidamente. ainda temos a mania do decalque, do reuso.

pensei agora numa questão que parece boba mas pode fazer sentido:
como as pessoas entraram nesses fluxos de experimentações em cultura digital? por quais motivos continuam experimentando nisso até hoje?
com certeza teremos várias histórias diferentes, desde motivações por fetiche tecnológico, estético, moderno, hype, estado da arte, linguagem, educação, pedagogia, metodologia, gambiarra.

eu não sei como vim parar aqui, só me lembro que estava tentando instalar um modem pra conectar uma internet discada num computador velhão na minha casa, depois vi uma turma usando o demudi em 2005, achei aqueles sintetizadores alucinantes, fiquei com vontade de usar, fazer… daí apareceu o pure-data em 2007, depois arduino, chips, depois a vontade de misturar isso com o dia-a-dia das pessoas, de criar extensões do corpo, 3d, 4d com tela preta, de mostrar que dentro daquele código tem uma poética, um suor que foi gastado não para se transfomar em produto, mas para se perder no fluxo, virar adubo… … cada pessoa tem sua história dentro dessas experimentações. precisamos entender como as pessoas sentem essas reverberações… um grande acerto em relação ao apoio para as pessoas que estão experimentando na cultura digital, foi a questão abertura de editais para bolsas de pesquisas na área. apesar de não ser equivalente à quantidade de pessoas que estão trabalhando com isso, o interações estéticas foi um edital muito importante, criou conexões entre saberes com diferentes caminhos e estados, sem se preocupar com uma infra-estrutura clean, hype, chique… me lembro que estávamos no projeto iluminado[http://iluminado.rbrazileiro.info] dentro de uma fábrica abandonada da coca-cola em Olinda, ouvindo os tiros da favela v8 e o pessoal vidrado olhando a tela, tentando entender aquela função ativava um sample X e aplicava um efeito Y… é muita motivação pra entrar nessa, de está querendo pensar em novas possibilidades, novos caminhos…

para ir além:

já aconteceram várias iniciativas de oficinas presenciais, labs, formações continuadas, mas não sei qual o nível de acerto com isso. o que estou sentindo falta é de um start para juntar pessoas para construirem um espaço rico de experimentações online e em tempo-real, uma oficina que não é oficina, mas ação, prática, feeling. andei pensando em conectar cotidianos, tentar fazer experimentos em diferentes locais e esses resultados se misturam na rede, recombinam sensações com informações locais, imagens, registros, manipulação de mídias em tempo-de-execução..

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agora a pouco o ruiz mandou um texto na rede

Laboratórios de Experimentação em Cultura Digital, as Gangues e a Indústria Criativa

Esse texto é uma série de pequenas reflexões a respeito da construção e manutenção de uma Rede de Laboratórios de Experimentação em Cultura Digital, ou RedeLabs, no território brasileiro, levantando considerações econômicas, sociais e ecológicas. Propõe ampliar o debate sobre o tema e também propor algumas possibilidades.

ainda estou processando mas já posso dizer que o texto reafirmar nosso potencial enquanto lab descentralizado de produção de criatividades, que impulsionam o crescimento sensitivo, político e educacional do nosso país.

ainda colocarei minha posição nisso tudo.


make install tarde-livre

logo01

hj a tarde não foi de tanta correria como de costume.

foi uma tarde dedicada pra compilar

mas não compilar kernel, nem binários.

a noia foi compilar um som.

passei a tarde, junto com leo e o gordo, mexendo no estúdio do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Livres (CDTL) que ta equipado com firepod, mesa de som, compressores, controladores, mics, vários softwares livres de edição, sinteses e tal…

o lance foi só pra esquentar os equipos, ve se tava tudo em cima,

e na brincadeira de música coletiva e make install cultural, saiu uma base-noise

ta meio no bruto mas dá pra remixar,

se alguem quiser botar uma voz ou uns efeitos em cima, seria massa.

eita como uma tarde livre salva.


Práticas (re)combinantes -> Arduino

Willian Gibson escreveu um romance marcante da cultura digital chamado “Neuromancer”. Sua ficção inspirou o badalado filme “Matrix”. 1984, ano de publicação de “Neuromancer”, coincidentemente, é o nome do livro escrito por Eric Arthur Blair, pseudônimo de George Orwell, lançando a figura do Grande Irmão e do cotidiano de uma sociedade de controles totalitários.

Talvez a maior contribuição de Gibson tenha sido a criação de um novo conceito que expressa novas possibilidades de convívio humano, o ciberespaço. Essa palavra, que denota o interior das redes conectadas, é tão poderosa que acabou sendo incorporada por diversas ciências. Gibson, algum tempo depois, em uma entrevista na revista “Wired”, afirmou que a cibercultura “é uma cultura remix”. Como afirmava o coletivo Critical Art Ensemble, já nos anos 90, estamos reabilitando a cópia e a recombinação como algo relevante e fundamental de nossa cultura. Remix é uma prática recombinante.

Remix é grande parte da criação artística que prolifera livremente com as licenças Creative Commons. Também é a maior parte do trabalho colaborativo do software livre e da Wikipedia. Remix é a essência da música eletrônica. Aproveitar o que existe de melhor nos diversos arranjos simbólicos, alterar, reinterpretar e reconfigurar é o que inspira os adeptos da metarreciclagem, um conjunto de remixagens. Mas as práticas de reconfiguração são a essência da internet, que é uma obra inacabada. Quando você menos espera, criam um novo protocolo que porta novas possibilidades de comunicação. A liberdade na rede permite sua expansão e a proliferação de idéias e da diversidade de culturas.

Um dos movimentos típicos da cibercultura, portanto das práticas recombinantes, além da metarreciclagem, é o que se formou em torno do Arduino. O que é Arduino? É uma plataforma de hardware de fonte aberta construída sobre uma placa simples de input/output. Parece difícil? O Arduino pode ser usado para desenvolver objetos autônomos e interativos que estejam conectados ao software dos computadores. O Arduino pode ajudar a formar uma legião de tecno-amantes que saibam criar aparelhos inteligentes controlados por sensores e softwares e até obras de arte eletrônica. É um kit que deveria estar nas oficinas dos telecentros e escolas.

Arduino

O Arduino baseia-se em uma placa com microcontroladores e em um ambiente de software que permite escrever a programação desta placa. O conceito é o que os norte-americanos chamam de physical computing, que é empregado para definir alguns sistemas físicos interativos de softwares e hardware que podem responder a estímulos do mundo. Por exemplo, alguns sistemas automáticos que regulam os semáforos de uma cidade, conforme a intensidade de seu tráfego, são um tipo de physical computing. Controles de dispositivos eletromecânicos que regulam a luminosidade ou motores, adequando sua velocidade conforme as informações obtidas do meio em que atuam, são outros exemplos de physical computing.

Existem muitos microcontroladores e plataformas de microcontrole disponíveis para a physical computing. Parallax Basic Stamp, Netmedia’s BX-24, Phidgets, MIT’s Handyboard, e outras tantas que oferecem funcionalidades similares. Todas essas ferramentas tentam simplificar detalhes da programação de microcontroladores e empacotá-los para suas placas. O Arduino também simplifica o processo de trabalho com os microcontroladores, mas oferece uma série de vantagens para professores, estudantes e interessados nesses experimentos. Primeiro, custa bem menos. É possível adquirir um kit Arduino por aproximadamente US$ 50. Segundo, Arduino é multiplataforma e roda no Linux, inclusive nas distribuições Debian e Ubuntu. Terceiro, o ambiente de programação do Arduino é bem simples de ser entendido pelos iniciantes.
arduino connect

Arduino tem seu software licenciado como uma ferramenta open source, ou seja, possui seu código-fonte aberto. Assim, professores, hackers, nerds e programadores podem adequá-lo e re-escrever seus códigos. Utilizando as bibliotecas e a linguagem C++ ou C, é possível ampliar e reconfigurar o software do Arduino. A base do Arduino são os microcontroladores ATMEGA8 e ATMEGA168, e seus planos e desenhos de circuitos estão licenciados em Creative Commons. Mesmo usuários bem inexperientes podem criar versões de módulos prontas para operar motores, pequenas atividades, por exemplo, tais como ligar aparelhos eletrônicos, quando alguém chega em casa. O limite é a criatividade.

Para ver as enormes possibilidades do Arduino, seja para criação de aparelhos espertos, seja para a prática do ensino-aprendizagem, é interessante observar as várias fotos dos trabalhos realizados com Arduino que estão no Flickr (http://www.flickr.com/photos/tags/arduino/). Até roupas, jaquetas e bermudas podem receber aplicações do Arduino. Juntando pilhas com o kit Arduino, e ligando com pequenos sensores que podem comunicar-se pelo bluetooth com laptops e telefones celulares, é possível criar coisas inimagináveis.

O Arduino pode ser um grande instrumento para praticar a recombinação e estimular a invenção entre os jovens e adultos que participam dos projetos de cultura digital e dos telecentros brasileiros. Em um ambiente que tende cada vez mais à convergência digital, reunir a criatividade típica do brasileiro, a idéia da gambiarra, com a disseminação da cultura recombinante pode gerar muitas soluções importantes para problemas do dia-a-dia. Começar com pequenas oficinas. Adquirir os primeiros kits, ler os tutoriais, montar e desmontar os experimentos, tudo isso faz parte do processo de criação-aprendizagem que muitos já estão chamando de comunidades de práticas.

Um site muito interessante para encontrar trabalhos inspiradores de arte digital é o The Webby Awards. Ele tem o repositório de várias iniciativas premiadas pela The International Academy of Digital Arts and Sciences (Academia Internacional de Ciências e Artes Digitais). O endereço é http://www.webbyawards.com/press/speeches.php

fonte: http://portal.softwarelivre.org/news/9974 e Revista ARede.