(este post também foi publicado no blog do projeto cotidiano sensitivo)

Durante três semanas, entre o final de Maio e início de Julho, eu e Ruiz estivemos no Coque, em Recife, para realizar um laboratório do cotidiano sensitivo junto com o pessoal da comunidade. IMERSom (nome da oficina) foi só o mote para atiçar e argumentar sobre as diversas ciências que estávamos instigados a investir no lab. A proposta foi utilizar conhecimentos de propriedades sonoras, tecnológicas, religiosas e subjetivas para construir um dispositivo móvel que tivesse uma funcionalidade pra comunidade, que fosse a cara deles.

Na primeira semana, conversamos e praticamos diversas experiências, como estudar mais sobre a história de Quinha do Tamburete, construir um instrumento que fosse possível “tira o som da alma” (LM386+Fios) e pesquisar sobre dispositivos móveis, pedindo para que eles desenvolvessem um aparato novo, deles.
Essa pesquisa continuou na semana seguinte, onde começamos a estudar mais a possibilidade de montar um dispositivo para registrar as histórias (estórias) das pessoas da comunidade, um aparato que fosse capaz de circular pelas ruas do Coque e convidar as pessoas para sentarem e contarem um momento ou falarem sobre alguma coisa. E o dispositivo tinha que ter a cara do Coque, ser algo que as pessoas se representassem nele.
E esse algo foi a Casa. O lugar da familia, onde as pessoas celebram o dia-a-dia.
Como fonte de inspiração, seguimos a mesma “metodologia da falta” que dona Quinha leva no seu dia-a-dia, procuramos todos os materiais reciclados (de madeira até sensores de baixo custo) para produzir uma Casa que fosse capaz de registrar momentos e histórias de anônimos que vivem na comunidade.
e assim foi…

ajustando a casa….

webcam, Sensores de luz, temperatura, arduino.
E aí, levamos nosso dispositivo para a rua, para fazer funcionar todo o sistema de gravação feito no Pd e Arduino (inicia quando toca no teto e desliga quando bate palmas) e mostrar para as pessoas que, mesmo com todos os problemas do cotidiano, é possível desenvolver projetos de forma criativa e coletiva na comunidade…
pessoal erguendo mais um laboratório brasileiro de interatividade e criatividade pelas pontas.


ajustando detalhes técnicos….

e o tamburete de Quinha também faz parte do dispositivo…
depois de colocar na rua, não deu outra, várias histórias, vários contos… elaboramos algumas perguntas clássicas (Onze Unidos ou Mocidade? O Coque é bom? Por quê? Como é sua vida no Coque?….) que ficaram penduradas no tamburete para as pessoas responderem, mas outras histórias vieram juntas. E foi isso que mais interessou, as pessoas se sentiram à vontade para falarem para a Casa, de se doarem ali na frente do dispositivo e se expressarem, sabendo que aquelas imagens iriam chegar em algum lugar.
e não foram poucos momentos…


(imagem capturada pelo dispositivo)


(imagem capturada pelo dispositivo)


(imagem capturada pelo dispositivo)


(imagem capturada pelo dispositivo)
e mais momentos de se lembrar por muito tempo…
Em breve esse registro estará dentro da plataforma do cotidiano sensitivo, como uma memória viva do que aconteceu e o que anda acontecendo pelo Coque.