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ekp - metáforas e orquestras do seu cerne

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“…metáforas das possibilidades de construção de sonoridades eletrônicas a partir do Kernel (núcleo) de qualquer sistema operacional.” VitoriaMario.

ekp_divulgacao

O Emotional Kernel Panic nasceu de um experimento acidental de tocar sons a partir de comandos de controle do sistema operacional Linux, arquivos de configurações, textos, poesias, algoritmos, com o objetivo romântico de sentimentalizar as operações binárias do Kernel e tirar o peso abstrato das operações e transforma-las em composições musicais, rítmicas e com a magia da matrix que contém dentro do núcleo do sistema operacional. Entre as sonoridades tocadas, o dmesg > /dev/dsp se mostrou ao longo dos experimentos como um dos riff’s principais, que elabora o sistema tocando a sua relação com os hardwares da máquina.

A pesquisa foi ganhando forma e corpo, desde aprimorar os estudos da tocata em tempo-real,  a inserção de composições de imagens, até o desenvolvimento de uma Interface no Pure-Data que monta uma Orquestra que é regida pelo próprio Kernel, com os impulsos sendo gerados pelo usuário ou pelo próprio sistema, numa relação inter-pessoal e subjetiva entre a máquina e a orquestra.

O projeto também se configura como uma performance-manifesto, na qual é montada uma orquestra em tempo-real que toca todos os elementos possíveis do  Kernel, imagens, poesias, textos e sinteses sonoras do pure-data, enquanto o julgamento de Alan Turing é lido e sintetizado pelo próprio Kernel.

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(imagem da performance em São Paulo, no pdCon. Renato fabbri, ricardo brazileiro e ana flávia)

Parte dessa pesquisa tem relação com a vida e obra do matemático e filósofo inglês,  Alan Turing, que após refutar um problema de decisão Entscheidungsproblem, desenvolveu uma máquina artística e abstrata que calcula todas as possibilidades de uma ação ser computável. Parte de seus estudos foram de extrema importância para o desenvolvimento de algoritmos que possibilitaram o desenvolvimento de computadores pessoais. Homossexual, foi condenado pelo governo britânico à tomar hormônios, consequentemente, o pai do kernel se suicidou com uma maçã envenenada. Algumas sonoridades retiradas do emotional kernel panic são parte de seu julgamento.

Os próximos avanços do projeto estão em trabalhar mais a composição ao vivo da orquestra, tocar desenhos que são transformados em ASCII direto na placa, melhorar o patch para aprender alguns riffs, conectar o objeto com outras instâncias do Pure Data e escrever um artigo mais completo sobre a experiência.

” dmesg > /dev/dsp , o shell cuspiu um pedaço de $%(%)#$(#(@*#)(%0-000101010101010″

arte, indecibilidade, artefatos.

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Artefatos artísticos podem ser modelados?

Seria um absurdo pensar em máquinas abstratas (turing machine) que “semidecidem” linguagens como metáforas para estudos de processos de ciberArte, desenvolvimentos artísticos, intervenções?

Uma máquina inifita que decide, é uma máquina que dada uma linguagem, ela pára após ser aceita. O ato de semidecisão é como se uma máquina aceitasse uma linguagem mas não parasse, não avisasse que aquilo terminou. Talvez um absurdo computacional.

Quase tudo na computação é decidível, poucas coisas são semidecidíveis.

A memória do computador é finita, as idéias não.

O hardware é finito, os processos não.

Criamos artefatos artísticos (que são linguagens semidecididas) em máquinas que são efetivamente computáveis.

Poderíamos falar que um objeto artístico é uma turing machine que semidecide.

Não sabemos até que ponto de interferência artística ela pode chegar.

Sabemos mais ou menos alguns estados de transição.

Não sabemos todos os possíveis processos que ela desenvolve.

Usamos máquinas decidíveis para computar ações não-decidíveis.

Seria o processo criativo computável?

Confusões conceituais parte 00000001.