olá! durante minha passagem pelo salão do reconcavo em Cachoeira e em Salvador, rolaram umas conversas com alunos da FACOM-UFBA sobre arte e computação e bate papo com o pessoal do Jornal A Tarde, que resultou na matéria “Programadores fazem arte, Artistas fazem sistemas” por Daniel Telles. A matéria fala um pouco de como funciona esse trabalho que envolve a ciência da computação e a arte digital, com participação de alguns parceirxs como Jarbas Jácome, Cristiano Figueiró, Simone Bittencourt, Fernando Krum, Karla Brunet.
achei que a matéria ficou na média, tentou explicar de forma fácil o que anda acontecendo por aí, a relação das tecnologias livres, do ativismo etc.

Foi-se o tempo em que fazer arte no computador era apenas desenhar no Paint Brush ou mesmo usar o pc como simulador de instrumentos. Os programas ficaram mais robustos e os artistas mais interassados em design de softwares. Disso, surgiu a possibilidade de elaborar programas capazes de misturar a ação do espectador e a intenção estética de um artista para criar uma “obra não definida”.
É isso que Cristiano Figueró, pesquisador de música computacional e composição eletroacústica, Ricardo Brazileiro, pesquisador de arte digital e tecnologias livres e Simone Bittencout, psicóloga e artista digital, fazem e é sobre o tema a gente conversou na entrevista abaixo:
Onde fica a espontaneidade do artista quando se faz arte no computador?
Ricardo: Tudo depende da proximidade da pessoa em sua relação com a máquina. Não adianta dizer que se trabalha com computador e arte sem entender as singularidades do computador. A espontaneidade está nessa amizade que você tem tanto com o código, quanto com o resultado que ele proporciona ali.
Simone: Esse diálogo entre o artista e a máquina é permeado por muitas vozes de um legado artístico cultural. O cara que criou um código e outro que deixou comentário sobre essa primeira criação… Não é só um espontaneidade originária do tipo “eu criei a partir daqui”, é uma espontaneidade que dialoga com uma série de outras criações e tira um pouco essa noção invenção, originalidade, para uma relação que passa mais pelo modo de produção da obra.
Cristiano: Qual a espontaneidade do artista com o lápis, por exemplo? O lápis também é uma tecnologia, não é? Mas é tão bizarro e tão lógico que um artista visual use um lápis para representar o mundo tridimensional num plano bidimensional?
O espectador ainda confunde essas novas formas plataformas artísticas com mera tecnologia?
Ricardo: Acho que o público está mais interessado em entender como as obras funcionam, até mesmo pelo cansaço com as tecnologias. Televisão, por exemplo, já passou: é uma tecnologia que apenas despeja conteúdo e as pessoas querem entender mais do que está acontecendo ali. Então é um papel do artista tentar dialogar com as mensagens que vão e voltam, para o público entender que tem também um papel de composição numa obra.
Simone: Ano passado montei uma instalação em uma sala com fios, placas e controladores expostos, passíveis de serem arrancados pelo público; e uma janela fechada que zerava todo o barulho do ambiente quando era aberta. Algumas pessoas entravam no assunto e se interessavam, mas muitas vezes vinha a idéia do “mas eu preciso de uma bula para entender seu trabalho e porque eu preciso dela?”. Tem essa dificuldade, mas ao mesmo tempo há um percentual de pessoas que se ligam e dialogam com as obras e seus modos de produção.
Cristiano: Existe muito ruído no diálogo e um deslumbramento com o computador e novas tecnologias. Existe ainda aquele mito de “no computador se aperta um botão e ele monta uma casa sozinho”, como se tudo fosse automático. Às vezes, é preciso limpar o ‘meio de campo’ e é nosso papel como artista causar uma sensibilização.
Em que pé está a pesquisa sobre arte e computador no Brasil?
Ricardo: Desde 2005, quando eu conheci o Estúdio Livre.org eu vi que tem uma necessidade em criar uma identidade brasileira para as coisas que começavam a acontecer em torno do uso do software livre para a produção artística. A comunidade do software livre entende mais o que acontece nas ruas, porque não dá para competir com os gringos – com dinheiro e equipamento. O jeito é se virar com o que tem, com a eletrônica de rua.
Por que a escolha pelo uso de software livre?
Ricardo: O software livre trata com sensibilidade os sistemas computacionais. Há uma mistura nessa coisa toda, com o que você produziu e com o que está usando para produzir. Quando o artista usa um código que não é espontâneo e aberto, parte da obra dele também não será aberta. Um artista que usa Windows ou Mac OS quebra metade do seu projeto porque eu não consigo ter acesso aqui, outro artista lá…
Cristiano: A gente usa o código aberto com uma proposta social, critérios técnicos e porque funciona melhor. Quando você fecha um código, cria problemas para você mesmo. É como guardar seu dinheiro e decorar uma senha imensa. See esquecer um desses números, você não terá mais acesso à grana.
É possível dizer de uma distinção entre estética, política e ética nessa escolha?
Simone: Não dá para separar, na verdade. O fato de trabalhar com uma ética de código aberto gera uma cena, uma efervescência e um gosto de trabalhar juntos, que ao menos tempo que atrai as pessoas para produzirem em conjunto, ela também dialoga com outros tipos de trabalho.




















